Antes do quebra-quebra

por Fernanda Peruzzo

Chegou a hora da reforma! Finalmente, você se convenceu e tomou coragem para enfrentar os meses de quebradeira e falta de tranquilidade que vêm junto com as alterações arquitetônicas. Pensar que quase todo mundo sobrevive a isso e que, não, os casamentos não se desfazem no momento em que o pedreiro dá bom-dia já é o primeiro passo em direção a uma obra bem-sucedida.

O segundo é saber contratar essas pessoas que seqüestrarão sua vida, deixarão a sua rotina em suspenso e que, no fim, e se tudo correr bem, lhe darão muitos motivos para chorar. Se será de alegria ou de raiva, só aguardando o resultado do trabalho deles.

O arquiteto

Para começo de conversa, nunca, jamais, sob hipótese alguma considere tocar a reforma você mesma. Sem a figura do arquiteto, as chances das reformas se transformarem num monstro que vai lhe devorar em segundos é enorme...

De acordo com a arquiteta Fabiana Franzen, vale sair a campo atrás de informações sobre o arquiteto que você planeja contratar. Busque referência, observe com atenção os trabalhos dele e, principalmente, averigue sua lista de parceiros.

“Um arquiteto está qualificado para desenvolver projetos arquitetônicos. Dentro do projeto cabe a ele o detalhamento construtivo. O projeto de design de interiores e de paisagismo pode ser feito pelo profissional também, mas é outro serviço e será cobrado à parte”, esclarece Fabiana. Para tais serviços, alguns arquitetos cobram por metro quadrado construído, outros por serviço. Há ainda uma terceira modalidade de cobrança, que é uma porcentagem sobre o valor final da obra.

“A execução da obra pode ou não ser responsabilidade do arquiteto, mas o que garante a boa qualidade final é o detalhamento executivo do projeto aliado a uma boa equipe que deve ser composta por engenheiros, arquitetos, bons fornecedores e mão de obra qualificada”, explica a arquiteta.

Os falados ‘erros do arquiteto’ muitas vezes são pura falta de compreensão do projeto. “Em muitos casos o cliente aprova e depois não gosta do resultado edificado porque não entendeu o projeto”, avisa. “Enquanto se está na fase de projeto pode ser feita qualquer alteração, inclusive um novo projeto. Já na etapa executiva a possibilidade de mudança depende do andamento da obra e se torna bem complicada”.

Quando o erro é verdadeiro ou sempre que se sentir lesado, o caminho para reclamar seus direitos é junto aos Conselhos Regionais de Engenharia e Arquitetura do seu estado.
 

Os prestadores de serviço

É claro que você pode recorrer diretamente aos prestadores de serviço sempre que quiser executar pequenas reformas ou reparos em casa, como uma pintura, a instalação de novos móveis ou mesmo consertos elétricos.

Só que nesses casos a garantia do serviço é questão de sorte e confiança. De acordo com Arabella Galvão, professora do curso técnico de design de interiores do CEPDAP (Centro de Educação Profissional de Design, Artes e Profissões), é importante conversar com alguns ex-clientes para saber seu grau de satisfação e buscar referências.

No caso de pedreiros, eletricistas e encanadores, deve-se ainda desconfiar do profissional que diz fazer de tudo um pouco. “É sempre melhor contratar um eletricista para reformar a parte elétrica, um encanador para a hidráulica e um pedreiro para a alvenaria. Assim, a chance de o acabamento ficar melhor e do prazo ser cumprido é muito maior”, destaca.

No caso dos marceneiros, que costumam executar o trabalho em pequenas fábricas, a investigação é mais fácil. “Saber se o profissional tem empresa constituída e como ele contrata mão-de-obra para trabalhar são bons indicadores de seriedade e profissionalismo”, ressalta. “Marceneiros que não têm empresa, não têm local fixo para trabalhar e contratam ajudantes por serviço acabam não tendo condições de entregar o trabalho no prazo ou com a qualidade esperada”, alerta.

Independente do profissional que se pretende contratar, a professora alerta que é importante fazer orçamento com pelo menos três profissionais para o mesmo serviço e sempre desconfiar daquele preço muito baixo ou que lhe deu muito desconto. “Isso pode indicar um profissional com pouca experiência e que cobra abaixo do preço de mercado para conseguir o serviço”, justifica.

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